Um olhar sobre Mr. Turner

Foto: Dave Mead/ Divulgação

por Arthur Costa
Repórter  de O VALE

 

Cinco anos é tempo superior à realização de duas Copas do Mundo, duas Olimpíadas, duas eleições presidenciais e muitos casamentos. Foi o tempo que os fãs brasileiros da banda inglesa Arctic Monkeys tiverem de esperar para ver a trupe liderada pelo gênio Alex Turner se apresentar novamente em solo tupiniquim.

Entre os shows de 2007 no Tim Festival e 2012 no Lollapalooza muita coisa mudou, a banda ganhou ‘corpo’, ainda que os críticos mais chatos teimem em dizer que o grupo virou mais ‘comercial’. Felizmente, pude ver essa evolução no meio do caminho, em uma apresentação memorável no Royal Albert Hall, em Londres, em 2010.

À época, foi possível notar esse ‘peso’ que a banda ganhou. O vocal de Mr. Turner mudou, o som ficou mais denso, mas, como não sou especialista musical, apenas um fã incondicional da banda de Sheffield, vamos deixar minhas leigas constatações para lá e, na velocidade das guitarras de Alex, Jamie Cook e das baquetas de Matthew Helders, voltemos ao Lollapalooza.
Seria clichê dizer que ‘nem mesmo a fina chuva que caía em São Paulo esfriou o público no Jockey Club’, assim como ‘a banda fechou o festival com chave de ouro’. Arctic Monkeys é anti-clichê. Ainda que Alex Turner venha se empenhando em desempenhar papel de ‘bad-boy’, com penteado rockabilly, coreografias no palco e caras e bocas, o fã que acompanha a trajetória da banda até entende essa certa marra do grupo.

É o amadurecimento dos jovens de cabelos bagunçados que ganharam o mundo. O set list do Lolla foi incrível, o público não parou sequem um minuto. Talvez na balada romântica de “Suck it and see” deu tempo para respirar, mas foi por pouco tempo. É mais um show daqueles para guardar na memória e o ingresso na carteira.

Sim, faltou tocar “Certain Romance”, “Mardy Bum”, “She’s Thunderstorms” (como meu amigo pedia antes de o show começar). Sim, faltou trazer Miles Kane e sua indefectível guitarra, faltou mais interação com o público e, por falta de auxílio divino, ‘casar’ os raios que brilharam no céu de São Paulo durante os shows de MGMT e Foster the People durante o hit Crying Lightning. Tá bom, seria demais.

Mas, não, definitivamente, não dá para perder um show de Arctic Monkeys.

Em tempo: baita show do Foster the People.

Impressões sobre o Lollapalooza

 

 

Fábio França

Em aspectos gerais, o Lollapalooza marcou a história dos festivais no Brasil. Não por ter sido a primeira edição nacional, mas por ter dado um passo à frente em relação à estrutura dos demais eventos de música no Brasil.

Sem ser isento de falhas, o evento teve alguns tropeços – como a pouca quantidade de lixeiras ou a cerveja e comida mais baratas sendo vendidas a R$ 8 -, mas no saldo final, os acertos foram maiores.

Dinossauros  do line-up (Foo Fighters e Arctic Monkeys, essencialmente) à parte, um dos méritos do Lolla foi repetir aqui a tradição gringa de ter nomes pouco conhecidos. Uma coisa que é simples e típica de festivais menores e que ainda precisa melhorar nos outros de maior porte (mesmo no SWU).

Uma grata surpresa entre os artistas menores veio com a cantora paulista Blubell, logo na abertura do segundo dia (o único que consegui ir). Com uma voz bem aguda ao falar, em uma primeira vista, não conseguiria ir além de alguém que inevitavelmente remete à Sandy. Felizmente, os conceitos pré-estabelecidos estão aí para serem quebrados.

Ela cantou em francês, português e inglês, tocou guitarra, desfilou um sex appeal natural no palco e conseguiu explorar todas as variações de seu timbre em músicas próprias. Não tem como ser ruim com tudo isso.

A Plebe Rude fez um show muito bom, com Philipe Seabra e Clemente no palco. Mas com uma plateia essencialmente de adolescentes, o som não convenceu. Uma pena, mas foi esta a realidade do grupo.

Os pernambucanos do Suvaca diPrata também foram uma grata surpresa. Com um som mais pesado ao vivo (em relação ao disco), eles mandaram bem só com autorais, como “Da Parada ao Terminal”, cantada em coro pela pequena plateia.

Inevitavelmente, eles ofuscados pelo show do Gogol Bordello. E com razão, afinal, foi o melhor do dia.

 

Gogol Bordello, por Bruno OLiveira/ Focka

“Start wearing purple” se tornou o grande hino e fez com que pessoas de todas as idades pulassem ou dançassem com o gypsy-indie da banda (que na verdade vai muito além deste rótulo de vida breve, pelo mix de música cigana do leste europeu, punk e referências multi-étnicas ).

MGMT por Bruno Oliveira/ Focka

O MGMT foi um caso sério de rendimento. Ser ícone da geração iPod tem suas desvantagens e a dupla viu na pele. Após tocar “Kids” (o grande hit deles), no meio do show, houve uma debandada geral do público, que já correu para garantir lugar de frente para o próximo hype: Foster The People. Ainda houve bons momentos com hits do disco de estreia deles, como”Electric feel” (com direito a relâmpagos cortando o céu quando tocavam essa), “Time to pretend” e “Congratulations” , do segundo disco.  O problema foi que a banda mesclou isso com momentos lentos demais. Quem é fã adorou. Os que conheciam pouco bocejavam.

Uma boa alternativa seria criar um palco folk ou algo do tipo para abranger artistas com uma música mais calma. Afinal, não quer dizer que música de festival tenha que ser necessariamente agitada. A graça é ter diversidade.

O Friendly Fires empolgou o público com a loucura/ dança desengonçada de Ed Mcfalane e hits certos para a maior parte do público do Lolla.

O Manchester Orchestra e o Foster The People fizeram bons shows. A reação de Mark Foster, da segunda banda, chegou a ser engraçada. Ele parecia não acreditar que houvesse tanta gente cantando todas as musicas da banda – descrita por uma parcela considerável da imprensa, antes do show, como banda de um hit só. Foi um sinal evidente do potencial brasileiro para shows  indie.

O Racionais MC’s atrasou em uma hora o início do seu show. Por incrível que pareça, foi o único show que atrasou tanto (os demais não passaram de dez minutos).

Encerrando a noite, o Arctic Monkeys já tinha o público nas mãos. Faltou mais “Whatever people say Im, that’s what I’m not”, o primeiro álbum. Faltou mais conversa com o público e menos preocupação de Alex Turner com seu incrível topete. Mesmo com isso, o show foi excelente. O Arctic de hoje pode estar mais moldado, mas não deixou de ser a banda de “fluorescent adolescents”.

 

 

 

Taubaté sedia 1º festival A Música Permite

Fábio França
São José dos Campos

É com toda a energia consumida para os shows saindo de um gerador de biodiesel que o festival AMP (A Música Permite) realiza sua primeira edição amanhã em Taubaté.
Com a proposta de unir música e conceito ligado à sustentabilidade, o evento será realizado no bar Ecológico Serrinha e conta no line-up com Cruz, Rancore e Grooverdose.
A primeira delas estreia sua turnê nacional em uma volta ao Brasil, depois de três meses tocando pelos EUA.
Com o disco “Vol. 1.” produzido por Jay Baumgardner (que já assinou trabalhos do No Doubt e Incubus), o grupo também traz na bagagem uma participação no SXSW (South by Southwest), um dos atuais protagonistas na cena de festivais internacionais de música do mundo.
“Passamos o último mês e meio tocando. Tocamos com uma banda do Texas, que acabou nos levando para o festival, onde tocamos por três dias. É meio que a cidade inteira fazendo arte. Há os palcos abertos, mas a 6th avenue tem bares por todos os lados e todos recebem shows”, conta o guitarrista Filipe Pampuri.

 

 

Cruz em clique de Rafael Kent

Com um rock tipicamente americano, ele conta que a reação do público por lá foi de surpresa ao saber que os integrantes eram brasileiros.

“Perguntavam se o vocalista era americano, porque, mesmo com toda a diferença que existe entre os estados americanos, eles não identificaram nenhum sotaque ou diferença”, explica Filipe.

Cartão postal. Uma marca registrada da banda é apresentar covers de outros artistas. Para isto, eles criaram o momento “Postcard Tunes”. “Em toda cidade que vamos, tocamos uma música que tenha relação com ela. Em San Francisco tocamos Janis Joplin. Decidimos na hora porque são bem espontâneos. Em Taubaté não faço ideia ainda”. Renato Teixeira ou o Batman que os aguarde.

 

Confira um pouco da pegada de cada uma das bandas nos vídeos abaixo:

 

Cruz


Rancore

 

 Grooverdose

Grooverdose Live @ C4 Lab Sessions from cesar pierri on Vimeo.


Serviço

1º Festival A Música Permite
Local: Serrinha Espaço Ecológico
Data: amanhã
Horário: a partir das 23h
Bandas: Cruz, Rancore e Grooverdose
Endereço: Rod. Oswaldo Cruz, km 10 , S/N
Site: www.amusicapermite.com
Telefone: (0xx12) 3608-4022  (0xx11) 2579- 2349

Cinco minutos com Scandurra

Fábio França
São Paulo

Quarta-feira, uma da tarde e Edgard Scandurra divide sua atenção entre os fãs que o cumprimentam por um pocket show que acabou de fazer do projeto A Curva da Cintura (que mantém com Arnaldo Antunes) no Sesc Vila Mariana e os goles em uma taça de  champagne. Receptivo e cheio de planos, ele falou um pouco ao Na Vitrola sobre seus  principais projetos.

Quando você volta à música eletrônica?

Já estou gravando um disco de instrumentais inéditas. Já tenho umas sete músicas prontas e como é instrumental, considero mais despretensioso. Acho que vai ser mais fácil de lançar. Não é um disco que tem que fazer um trabalho de divulgação.

Vai lançar na Internet, então?

Sim, vou lançar na internet e deixar acontecer. Deixar  as pessoas acessarem.

E os outros projetos?

Como nos últimos quatro anos trabalhei com muitas intérpretes, muitas compositoras, muitas garotas, como a Karina (Buhr, com quem ele  desenvolve  um trabalho com pitadas de psicodelia), Barbara Eugênia, Juliana R., Marina Lima, Zélia Duncan, que participou do meu disco ao vivo, Laura Lavieri,  que canta com Marcelo Jeneci, com quem fiz vários shows no meu antigo restaurante.

A Nina Becker também, com quem toquei no VMB, e a Blubell. Nós fizemos  vários shows juntos. Como estou muito bem enturmado com essa geração de cantoras, quero registrar isso.

E o lado Scandurra cantor e compositor? Volta cedo?

Deve começar a correr durante este ano ainda, mas é mais provável para o ano que vem. Devo compor esse ano.


Ele vai ser conceitual?

Não sei te dizer muito bem não, mas como é  só com minha assinatura e eu cantando, acaba remetendo à uma cosia mais rock, melódica, até ligado ao Ira!

Mas como vou fazer dois projetos antes, acho que vou ficar bem livre para tocar minhas músicas e fazer uma coisa diferente de mim mesmo. Esse que é o grande desafio, o grande barato.

Ao mesmo tempo disso tudo, tem ainda esse trabalho meu com o Arnaldo, tem o trabalho com a Karina. Sou músico da banda dela, acho ela maravilhosa. Acompanho a carreira solo do Arnaldo também. Gravei com ele o “Acústico MTV” que ele vai lançar agora. Meu violão lá tá bacana, tá lindo. Tento dar prioridade para as minhas cosias, mas dentro do possível.

E rolou uma participação sua no disco novo do Lanny Gordin?

Sim, já gravei. É o segundo disco do Lanny, depois dessa volta dele e a segunda vez que participo. Ele participou de dois shows do Benzina (projeto de música eletrônica de Scandurra), que tem uma música totalmente aberta e inventiva. E quanto mais aberta, mais ele se sente em casa, mais ele viaja. Já participei de vários shows que ele fez.

É uma coisa incrível e sempre com ele está o Pepeu Gomes, o (Luiz) Carlini. Vejo esse monte de nome desses e eu como era fã desses caras quando era moleque, me sinto muito envaidecido. Quando tava começando a tocar já sabia que o Lanny tocava muito.

 

 

‘E aí Ayuda?’

Da esquerda para a direita: Ricardo Henrique, Viní­cius Pacheco, Diego Xavier e Julio Cavalcante (Oswaldo Corneti – We Shot Them/ Divulgação)

Em rota de ascensão, o Sin Ayuda divulgou no Youtube um teaser  do novo EP do grupo.

Sob o nome de “Boat EP”, a prévia do novo material veio em forma de vídeo no estilo road trip, com um persona curioso pelo caminho. O título deste post, aliás, é uma fala dele no vídeo. Confere aí:

Gravado em Santa Branca, o novo trambalho vai ser lançado exatamente daqui um mês em parceria com os selos Popfuzz Records (AL) e Transfusão Noise Records (RJ).

‘MDNA’ é tentativa de provar juventude


Madonna
‘MDNA’
LIVE NATION/ INTERSCOPE

A causadora-mór do mundo pop chegou ao décimo segundo álbum de estúdio e com ele um novo patamar na carreira, que não necessariamente chega a ser benéfico, mas estagnado. A polêmica envolvendo o DJ João Brasil – a introdução de “Give me all your luvin’” dela é idêntica ao início de “L.O.V.E. Banana” dele – trouxe de volta um velho problema dela que todo mundo já conhece: Madonna sempre ganhou fama por lançar tendências, mas todo o crédito é de seus produtores, que reúnem tudo o que rola de novo para seus álbuns.

Com um time badalado que vai desde a senegalesa M.I.A., passando pela rapper queridinha da indústria Nicki Minaj, até os DJs William Orbit e Benny Benassi, ela deixa marcado no álbum que está desesperadamente tentando soar como algo novo. E ela até consegue, mesmo que o disco alterne muito entre altos e baixos. Mas é pouco.

Na primeira parte, entra o já hit “Give me all your luvin’” – com uma combinação de contrabaixo e sintetizador muito parecida com o que fazem o She Wants Revenge e o The Rapture – e a faixa “I’ m a Sinner” (“Eu sou uma pecadora”), que em alguns trechos da harmonia lembra “Ray of light” e, pela letra, deveria ser polêmica, mas é só ela interpretando a personagemde sempre.

Na lista dos bons momentos ainda estão “Girl Gone Wild” e “Superstar” (candidatas a hits nas pistas, com refrões fáceis).

No restante, o disco é mais do mesmo dela, para o bem (de quem gosta) e para o mal. E lá vão as fórmulas: baladas com base nos sintetizadores (como “I Fucked up”); “Erotica” aparece recauchutada em “Gang Bang” e por aí vai.

O Tempo passou, mas Madonna não gosta de admitir a ideia de que já não tem o mesmo frescor. (FF)

Il Volo
‘Live from the Detroit Opera House’
UNIVERSAL

Imagine uma versão na linha música italiana/clássica do Jonas Brothers. Conseguiu?

Caso não, é só conferir este ao vivo do Il Volo. Três garotos impostando a voz e fazendo tipos diferentes: o playboy, o galã e o geek.
Se o talento deles não é contestável, a finalidade do disco é, e em níveis extremos. Com um repertório de clássicos italianos (como “ ‘O Sole mio” e “Funiculi’ Funicula’”)ou americanos (“Smile”), o grupo não inova em nada e muito provavelmente só vá ter boa repercussão na festa de Quiririm.(FF)


Jay Vaquer
‘Umbigobunker!?’
MICROSERVICE


O ar de roqueiro típico de um Jay Vaquer em início de carreira cedeu um pouco do espaço considerável a pianos e letras calmas neste quinto disco.
O cantor mostra que tem estilo, tem uma boa técnica e consegue aliar ela ao feeling (como no contraste entre o calmo e o berrado em”Ritual da Chuva Seca” ou “Meu melhor inimigo”, justamente dois momentos mais roqueiros e nos quais ele soa mais original).
Mesmo parecendo que ele está no meio de um processo de maturação, ele consegue mostrar a que veio com boas letras. Mais calmo, mas ainda bom.(FF)

Graveola e o Lixo Polifônico lança álbum no Sesc São José

Fábio França
São José dos Campos
Ecletismo é uma descrição simplista para definir o som do grupo Graveola e o Lixo Polifônico, que faz show de lançamento do álbum “Eu preciso de um liquidificador”(Natura Musical) nesta sexta, às 19h30, no Sesc São José.

Com nove integrantes sobre o palco, o resultado não poderia ser diferente: a banda cria texturas, composições e arranjos que englobam diversos estilos – mas tudo de forma harmônica. E a reação de público e imprensa de querer classificar é encarada de forma descontraída pelo grupo.

Confira a entrevista com Yuri Vellasco (voz, violão e bateria):

- Geralmente o ineditismo do som de vocês deve ser proporcional à vontade classificar dentro de um gênero ou rótulo. Como vocês lidam com este tipo de situação?

Acho que essa necessidade de seccionar as coisas é uma necessidade humana mesmo, pra além de qualquer padrão jornalístico. A gente sempre fica no meio do caminho pra responder sobre o tipo de música que o grupo faz. Teve uma época em que a gente inventava uns termos no release: barroco beat, pouco punk, meio hippie, cult-intelectual-de-bolso. largado sexy… Eu acho que é canção, por mais vago que seja e que, ao mesmo tempo, possa enquadrar num universo que é infinito. Porque ainda mais hoje em dia, as coisas vêm carregadas de referências e escolas das mais diversas possíveis, que já não faz mais sentido dividir em prateleiras. Eu desisti de querer saber da origem das coisas, desde que eu soube que no Egito tem um ritmo milenar que chama bayon e é igual ao nosso baião. Eu acho é que as coisas estão no mundo, por aí. A gente pesca o que quer e cria o que for a partir disso.

- Como são muitas mentes pensando na música, vocês são do tipo workaholic e já planejam um novo disco? Como é o processo de produção do grupo?

O processo de criação do grupo é bem aberto. As composições, na grande maioria, são do Luiz Gabriel e do José Luis, mas de uns tempos pra cá, principalmente nesse disco de agora (“Eu preciso de um Liquidificador”; lançado em 2011 pelo Natura Musical), a coisa se ampliou um pouco nesse sentido. Tem música minha, do Bruno, da Luísa e mesmo de pessoas fora da banda, como o César Lacerda. Nos arranjos, a criação também é coletiva. Geralmente quem compôs a música naturalmente chega com um esboço e a partir disso, a gente vai se encontrando, sugerindo idéias. Pra esse repertório que a gente vem tocando priorizamos músicas desse disco novo e algumas do primeiro disco. Mas aos poucos vamos inserindo músicas novas, arranjos novos, pensando estritamente no show mesmo. Mas claro que já imaginando o próximo disco, daqui há um tempo, como vai ser e tal.

- Como é a recepção da sonoridade de vocês no exterior?

Tivemos uma experiência muito legal em Portugal. Já fomos duas vezes, e sempre temos uma receptividade muito grande. Na primeira vez, tocamos em duas casas de show de Lisboa e ficamos impressionados com a energia, com a generosidade deles. Da segunda vez, fizemos uma turnê de norte a sul do país, passando pelo Festival de Sines, onde tivemos um público muito grande, muito receptivo e com muita vontade de conhecer coisa nova.

Claro que o fato de falarmos a mesma língua torna tudo diferente, mas acho que, além disso, os portugueses tem um conhecimento profundo sobre a música brasileira. Daí fica mais fácil deles entenderem também as referências, as citações, os “plágios” que a gente faz nas nossas músicas. Existe muito interesse pela música brasileira nos outros países, é claro, mas acho que por causa da distância cultural, o interesse é mais pelo viés do exótico, do desconhecido.

- O Graveola se mobiliza também socialmente, como no caso do da comunidade Dandara. Recentemente São José dos Campos passou por uma situação parecida com o caso Pinheirinho. O grupo tem um posicionamento oficial sobre este tipo de caso? Aliás, existe um consenso sobre o discurso social ser uma extensão da arte?

O discurso social pode ser uma extensão, ou mesmo o próprio fazer artístico. “Guernica” do Picasso, o discurso do Caetano em “É proibido proibir”, “God Save the Queen” do Sex Pistols. A obra em si pode ser um instrumento de profundo questionamento social e político. Mas não é necessário que o artista tenha uma abordagem da realidade social no conteúdo da sua obra, ou uma temática “de protesto”, para poder se envolver em questões sociais. Acho importante é que os artistas que tenham essa preocupação, usem essa voz, esse alcance que tem, pra expressarem opiniões e se posicionarem frente à essas questões que nos cercam.

Eu acredito que a gente esteja passando por um momento meio tenebroso nessa esfera política. Não só em BH, mas no Brasil inteiro. A relação do poder público com o setor privado, sob a desculpa do crescimento econômico, do desenvolvimento, da Copa do Mundo, cria um estado em que novos e velhos milionários tem todo o aparato da máquina pública para erguerem esse Brasil “progressista” que muita gente acredita. Então, o que se vê é um total descaso com os movimentos sociais e uma postura de combate com as comunidades que lutam por esse direito fundamental que é a moradia.

Em BH existe uma mobilização grande de oposição à gestão do prefeito, mas também de apoio à essas comunidades. Ano passado, fizemos esse show na Comunidade Dandara, que está sob ameaça de despejo. Há alguns dias, pessoas das mais diversas áreas se juntaram para fazer um circuito cultural numa outra comunidade que também está ameaçada de despejo, a Zilah Spósito. Nessa comunidade houve uma tentativa de despejo, similar a do Pinheirinho, em que a polícia agiu com extrema truculência, destruindo casas e agredindo mulheres e crianças.

É revoltante que até hoje esses crimes ainda aconteçam e o pior, com o apoio do estado. O que aconteceu no Pinheirinho foi uma ação escusa e criminosa, onde o estado se juntou ao interesse privado pra destruir uma comunidade inteira, com a cínica justificativa do “cumprimento” da lei.

 

Serviço
Graveola e o Lixo Polifônico
No Sesc S. José, sexta (30), às 19h30. Grátis. Av. Adhemar de Barros, 999, Jd. São Dimas.
Tel.: (0xx12) 3904-2000
O disco pode ser baixado no site oficial: http://graveola.tumblr.com/

 

 

Buce Springsteen e a tradição de clássicos


Bruce Springsteen
‘Wrecking Ball’
SONY

O apelido de The Boss (O chefe, em inglês) se faz extremamente válido com o lançamento de “Wrecking Ball”, que mostra porque entre os grandes nomes da música, Bruce Springsteen se destaca.

Sendo um dos poucos (senão o único) que realmente canta em meio aos dinossauros solo do rock-folk (Bob Dylan, Leonard Cohen e Lou Reed), ele se mantém motivado a manter sua produção atual, sem viver do passado ou se entregar menos por isso.
Da primeira à última faixa “Wrecking Ball” escancara os efeitos da crise econômica sobre os EUA (o nome do disco é o mesmo daquela bola de aço, usada na ponta de guindastes para demolir prédios).
Abrindo com “We Take Care of Our Own”, um pós-punk de arranjo modernizado, Bruce fala sobre as pessoas se endurecerem diante das dificuldades de uma situação econômica que aumentou o abismo social.

Com uma bateria de trip hop que se transforma em uma base de rock, ele abre “Easy Money”. As influências variadas de Springsteen marcam o disco comelementos blueseiros, violões folk, levadas do country e guitarras rock n’ roll.

Um dos momentos mais belos do disco está na faixa “Land Of Hopes and Dreams”, que conta com um solo do saxofonista Clarence Clemons, parceiro de longa data de Springsteen, que morreu em 2011.

Embora não tenha chegado a participar das gravações do novo álbum, um solo do músico em uma versão ao vivo da música “Land of Hopes and Dreams” foi inserido na versão de estúdio da canção.

Em suma, Bruce continua o mesmo cara que há 37 anos cantava “Thunder Road”. Mais maduro, mas sem perder o dom de colocar sentimento nas críticas. The Boss.(FF)

Liah
‘Quatro Cantos’
SOM LIVRE

Por que as grandes gravadoras entram em crise? Simples: elas apostam em gente como Liah.

Surgida como “a garota que compunha para a Sandy”, ela emplacou o hit “Garotas choram demais” (se não lembra, procure no Youtube; altas doses de feminismo raso embaladas por excesso de gemidos).

Com sonoridade que emula (mal)a americana Jewel, Liah mudou algumas vírgulas nas músicas e chamou Ivan Lins para dividir vocais em”Casa Vazia”.

Se o disco tem um mérito, ele fica por conta da diminuição discreta de gemidos ao cantar.(FF)

Marina de la Riva
‘Idílio’
MOUSIKE/UNIVERSAL

Se a mistura de MPB e música cubana se tornou símbolo do primeiro disco de Marina, reinventar essa mistura de forma cativante é a marca deste segundo trabalho.

Só a releitura de “Estúpido Cupido” já valeria o disco pela interpretação cheia de nuances dela aliada a um arranjo cheio de elementos como piano e sopros.

Felizmente o disco temmais que isso e traz releituras de canções cubanas, como “Voy a Tatuarme” (de Amaury Gutiérrez), “Añorado Encuentro”, e mais brasileiras (“Assumpreto”).

Tudo em um dos mais belos timbres da atual safra da MPB.(FF)

Entrevista: Marina de la Riva fala sobre seu novo álbum

Fábio França
São José dos Campos

Do outro lado do telefone uma voz mais grave que a Marina de la Riva do disco se identifica como sendo ela. De tom levemente sedutor e descontraído, aos poucos ela vai mostrando como o hiato entre seu primeiro (“Marina de la Riva, de 2007) e o segundo disco (“Idílio”) serviu para que o novo rebento tomasse forma.
Com participações de destaque “Acústico MTV 2″ de Lulu Santos e no festival Telefônica Sonidos – entre outras coisas -, ela conta um pouco sobre a sonoridade do novo disco, fala de família e da volta à faculdade de direito.

De onde surgiu a ideia de pôr como nome do disco uma palavra que equivale a um poema lírico/bucólico? Como isto sintetiza o álbum?
O título da obra é uma coisa muito interessante porque tem que estar dentro da obra sem engessá-la. Passei muito tempo pensando em “Ausência”, que é uma música densa, mas a ausência não sintetizava o disco inteiro. Me deparei com a música “Idílio” e graficamente também caiu muito bem.

Como foi fazer o disco e como você foi construindo ele?
A pré-produção mental começou há muito tempo, mas em estúdio foi muito rápido. Em uma semana fiz 80% do disco. Fiz as músicas em um take só, com todo mundo tocando junto (ao vivo) no estúdio. Gravávamos três takes e escolhíamos um. Todo mundo tem que ficar muito entregue dessa maneira.
Mas ainda achei que faltavam outras cores no disco.

E os arranjos? Você participou deles?
Quando chamo um arranjador, já falo a instrumentação que eu enxergo. Trabalho muito isso na minha cabeça, sou muito visual. Caso contrário é uma perda de tempo.

Marina, e a voz? Como você faz para cuidar dela? Ainda frequenta aulas de canto?

Aí tem uma questão muito engraçada, porque os meus professores de canto sempre ficaram muito confusos com minha extensão vocal. Minha primeira professora de canto tinha um papel colado (em cima das teclas) no piano, chamado “Marina de la Riva”. Eu brinco que sou uma atleta da música porque sou meu próprio instrumento. Me preocupo em me manter. Sempre falo muito grave. Para me cuidar, vou na fono (audióloga). Não faço mais aula de canto porque já tenho minha própria assinatura e não quero alguém que crie vícios em mim.
Na consulta da fono, disse para ela “o que me trouxe aqui foi o Paul McCartney, que nunca baixou um tom em nenhuma música” (risos). A voz envelhece, mas deve ser disciplinada. Aliás, amanhã tenho fono (risos).

Seus discos falam muito de sua memória afetiva cubana, certo?
A minha família paterna é cubana e veio para cá em 74. A minha memória afetiva é de uma família latina muito presente. Morávamos todos juntos em Baixa Grande da Leopoldina (distrito de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro) e éramos uma família muito musical. Meu pai era muito musical. Minha avó do lado cubano tocava piano. Aliás, sempre me perguntam se me sinto uma diva e uma vez respondi: “Diva era minha avó” (a materna, que se chamava Diva). Música sempre foi uma linguagem de comunicação e virou um grande caminho na minha vida. Queria estar perto dela de alguma forma.

Como? O que tanto fez para estar perto da música?
Dancei balé, fiz jazz, na verdade queria ser bailarina quando era mais nova. Depois queria biologia marinha, mas resolvi fazer direito. Aliás, voltei para a faculdade de direito (risos).

Mesmo com a carreira bem estabelecida?
Defino como “muito esforço”, mas sim. Só hoje, saí da faculdade, fui para a biblioteca. Estou em dúvida entre abordar direitos humanos ou autorais no meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso, feito ao fim da faculdade). Bom, saí da biblioteca, fui experimentar figurino para o lançamento do disco e agora estou dando entrevistas (risos).

 

Faixa-a-faixa em comentários de Marina

Ausência

“Esta música é de extrema importância para mim. Por muito tempo, foi o título que imaginei para o álbum, até que mudei para Idílio. Guardo-a desde 2007. Neste disco, pude cantá-la com todo entendimento de que a ausência de alguém pode ser mais viva que a presença de outros”

Dile que por Mi No Tema

“O arranjo é de Pepe Cisneros e a minha versão do tema remete às ruas da melhor Paris na primavera”

Estúpido Cupido

“Amo mambo, e decidi a fazer um neste disco. Estúpido Cupido é uma música jocosa. Pensei que caberia muito bem no ritmo, levei minha ideia para o Pepe Cisneros e ele adorou. A ponte que leva também traz. A música fez sucesso no Brasil, nos anos 60, vinda dos Estados Unidos. Agora nós a devolvemos ao mundo no swing brasileiro-latino. A gravação foi puro sorriso. Naipe de metais da melhor qualidade, piano suingadíssimo do Pepe, baixo caminante, percussa chique, lock out de 15 horas e ela estava pronta. Meu primeiro mambo”

Juracy 

“Em 2009, quando ensaiava para gravar meu DVD, Ricardo Valverde, percussionista e estudioso de samba, disse que me emprestaria um disco dele para que eu ouvisse uma referência. Neste disco estava Juracy, lindamente cantada por Robertinho Silva. A partir daí, Juracy passou a ser minha também.”

Muñeca

“Outro arranjo de Pepe Cisneros. Todo suingue do elegante trombone do Raul deSouza e o piano do Pepe na letra mais latin lover e cara de pau do disco, quando o cidadão em questão é pego nos braços de outra mulher e afirma, descaradamente, que é somente diversão sem importância. Para cada latin lover em ação há, do outro lado, uma mulher aceitando-o. Resumo da ópera: “El amor y el interés se fueron al campo un día, y, más pudo el interés que el amor que me tenia”. Muñeca, perdoname!”

Y

“Foi gravada com Daniel Oliva, grande violinista da nova geração. Esta canção me acompanha desde criança, no meu repertório mental, quando a ouvi pela primeira vez no disco de Eydie Gormé com o Trio Los Panchos. Sempre quis gravá-la. Tanto que, no final de “Central Constancia”, do meu primeiro álbum, eu já citava uma de suas frases: “Y que hiciste del amor que me juraste, y que has hecho de los besos que te di?”. A melodia é bela. A letra, uma graciosa forma de cobrar o amor e, ainda, no final, confirmar que está tudo perdoado. Uma graça de música. Leve, doce e cheia de humor delicado”.

Canción de las Simples Cosas 

“Gravei em Cuba, em 2009, quando fui para o Festival Boleros de Oro, com dois grandes amigos: Fabián García Caturla e Papi Olviedo. Fabián é um dos maiores baixistas cubanos vivos, trabalhou com o maestro Enrique Jorrin, inventor do chá-chá-chá. Ele simplesmente definiu a linha de baixo do gênero – é a história viva da música cubana! Papi Olvideo toca o tres cubano (instrumento de seis cordas agrupadas em três grupos), é um dos maiores treceros que existe. Adel Gonzáles, percussionista, apareceu lá para me dar um abraço na hora da gravação e acabou participando – inventamos palmas e um ‘abanico’ sutil nos timbales. Estava pronta!”

 Voy a Tatuarme 

“Música de Amaury Gutiérrez, compositor cubano que, em 2011, ganhou o Grammy Latino de Melhor Cantautor com o álbum ‘Sessiones Íntimas’, do qual participei. Pedi a ele uma música e me presenteou com ‘Voy a Tatuarme’, um lindo guaguancó delicado e moderno. É a música de trabalho do álbum Idílio e o primeiro videoclipe da minha carreira, gravado na Argentina pelos diretores Juanito Jaureguiberry e Picky Talarico, com referências dos anos 20, Marlene Dietrich, noir, latin chic, contemporâneo”

 Añorado Encuentro

“Conheço e gosto dessa canção há alguns anos e agora vejo que ela fez sentido no meu repertório. A letra fala sobre o momento do encontro tão desejado, quando se rompe o silêncio e a razão do coração prevalece. Essa música me remete às atmosferas das grandes orquestras dos anos 40, um alimento para o meu repertório. Nela, tenho novamente como convidado o trombonista Raul deSouza, do qual sempre fui fã e, neste trabalho, tudo se alinhou para ele estivesse presente. O arranjo é de Pepe Cisneiros”

Assum Preto

“Antes de iniciarmos a gravação, descrevi aos músicos Daniel Oliva e Fábio Sá o que meus olhos viam: era fim de tarde no sertão, o chão seco, a terra craquelada, o árido e, ainda assim, tudo em volta era só beleza. O céu avermelhado, as árvores sentidas, o silêncio e, no centro de tudo, no meio do nada, o assum preto descrevendo sua consciência. Gravamos a música de uma só vez e foi um dos momentos mais mágicos do disco. Valeu o primeiro take”

Idilio

“Significa uma grande paixão, um sonho, uma fantasia, uma ilusão. Refere-se a uma forma literária de poema lírico, de tema bucólico de natureza descritiva, dramática, épica ou lírica. Definiu o nome do álbum”

Deixa que Amanheça

“Conheci na voz de Emilinha Borba, grande intérprete brasileira. Reunimos uma turma da pesada do chorinho. Luizinho 7 cordas fez o arranjo. Uma delicada e jocosa forma de pedir a alguém que fique um pouco mais”

Como Duele Perderte

“Esta canção foi gravada com Emiliano Castro, grande violinista paulista da nova geração de músicos. Sua letra é muito bonita. Fala da dor de amor e da resiliência inconformada. Da vida diária sem o ser amado, do desejo, do grito do silêncio, da sinceridade do frio, da incredulidade de como pode ter tudo sido deixado para trás. Ainda assim, é doce. Não é triste. Talvez, docemente triste como, às vezes, a vida se apresenta”

 Voy a Guardar Mi Lamento

“Conheci esta música numa versão em português através do Pupillo e descobri a letra em espanhol. Pedi a ele que fizesse o arranjo meio Tijuana, poeira na boca, Tarantino”

Propriedade Particular

“Nessa música do Lulu Santos, chamei a melhor turma do choro tradicional para dar o recado. Arranjo do mestre Luizinho Sete Cordas”

 Tu me Acostumbraste

“Essa música foi gravada por grandes intérpretes, e adoro a interpretação do Armando Manzanero, um dos maiores boleristas do mundo. Pedi carona em suas asas. Trombone luxuoso do grande maestro Raul de Souza”.

Céu se supera com terceiro álbum


Céu
‘Caravana Sereia Bloom’
UNIVERSAL

Desde janeiro o principal assunto no que diz respeito à música tupiniquim é que a partir de qualquer momento “Caravana Sereia Bloom”, o tão aguardado terceiro disco da cantora Céu, poderia vazar na rede.

Embora o lançamento oficial seja só nesta semana, os fãs receberam a novidade junto com a
imprensa. Históricos sobre cibercultura à parte, a cantora conseguiu criar uma obra à altura da expectativa criada após o bem
sucedido “Vagarosa”, de 2009.

Em seu novo rebento, ela rompe com Beto Villares, seu produtor cativo – responsável por sua sonoridade desde o primeiro disco – para iniciar uma parceria com Gui Amabis, seu marido e compositor de trilhas para cinema.
Conseguindo manter os bons elementos que marcaram sua trajetória – entenda-se umas pitadas de dub e texturas que só são descobertas com mais de uma audição – ela consegue ser também inédita. Em “Falta de ar”, faixa que abre o disco, já é possível entender que ela está mais orgânica, com uma guitarra menos ilustrativa e mais viva.

Em “Amor De Antigos” há um flerte comcompassos de jazz.
Na bela “Retrovisor”, Céu canta o fim de um relacionamento com um arranjo decrescente, que vai desacelerando quando mais próximo do fim.
Contrariando qualquer estigma de diva – ou rótulos de “nova Marisa Monte” – ela ainda aposta em vinhetas e usa naturalmente o inglês como segunda língua (“Fffree”). A introdução com realejo já valeria a faixa “Palhaço”, de Nelson do Cavaquinho, levada com voz,violão e assovio.
Além de superar sua própria imagem, o álbum cumpre um papel: desmitificar que lançar um disco em pleno Carnaval, seja sinônimo de fracasso. Contanto que seja ótimo. (FF)

Michel Teló
‘Michel na Balada’
SOM LIVRE

Amado e odiado. Não contente em superar Adele e Coldplay em downloads no iTunes em
diversos países na Europa, Teló ainda tem(atual e simultaneamente)dois discos entre os dez mais vendidos do Brasil.

De repertório popular – leia-se: ter como temas invariáveis as paixões e as festas – ele dá o que a indústria quer em um disco ao vivo de um popstar.

Cativa o público, mas é musicalmente “mais do mesmo”. O mérito é que ele parece sintetizar com fidelidade alguns valores que rondamo universo de seus fãs – para o beme para o mal.

Ou seja, “Eu te amo e open bar”.(FF)


Pedro Mariano
‘8’
NAU

Pedro Mariano não precisa provar para mais ninguém que tem voz própria e que pode ir além de ser o filho de Elis.

Consagrado como umdos poucos intérpretes masculinos de sua geração, ele investe emuma fase mais rica sonoramente (com instrumentação sofisticada e de diversos timbres), mas com músicas mornas.

Não que não tenha pontos altos, como na delicada “Simples” (de Jair Oliveira), mas o problema é na insistência em letras essencialmente românticas e insossas, que poderiamestar em seu repertório ou no de Leila Pinheiro ou Jorge Vercilo.(FF)

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